TRIGO: Brasil receberá carga de cereal russo nove anos após proibição

10/07/2018


Está a caminho do Brasil um navio com 25 mil toneladas de trigo produzido na Rússia. A carga será analisada pelos fiscais dos portos, que avaliarão as condições fitossanitárias do cereal. Caso o carregamento seja aceito, será a primeira importação do cereal russo em oito anos.

Exigências sanitárias - O trigo da Rússia estava impedido de entrar no país desde 2009 por não atender as exigências sanitárias brasileiras. O último desembarque de trigo russo em portos brasileiros foi em 2010, com uma carga de 28 mil toneladas. Em dezembro de 2017, o Ministério da Agricultura publicou regras flexibilizando exigências de importação, o que permitiu a entrada do cereal russo. A reabertura ocorreu logo depois que Moscou bloqueou todas as importações de carnes bovina e suína brasileiras - o embargo russo ainda não foi revertido.

Moinhos do Nordeste - Segundo boletim da consultoria Trigo & Farinhas, foram compradas 25 mil toneladas que devem abastecer três moinhos do Nordeste, sendo um lote de 5 mil toneladas e outros dois de 10 mil toneladas, todos com preço de US$ 270 por tonelada. O navio deve encostar no litoral ainda em julho, segundo Luiz Pacheco, diretor da consultoria.

Comercializadora - A comercializadora é a trading russa Sodrugestvo, apurou o Valor. A companhia, que já negocia outros grãos no Brasil, arcará com eventuais custos para redirecionar a carga caso ela seja rejeitada no Brasil. Procurada, a companhia russa preferiu não comentar.

Cereal Argentino - Uma permissão de entrada do trigo russo no Nordeste deve pressionar o cereal argentino, que abastece os moinhos da região, na avaliação de Marcelo Vosnika, presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo).

Abastecimento - Os moinhos nordestinos são abastecidos com trigo importado, basicamente da Argentina. Mas o lote russo tem preço próximo ao valor que o cereal argentino desembarca na região. "Os argentinos terão que baixar um pouco o preço. Com isso, já voltam a exportar ao Nordeste", avalia Vosnika.

TEC - Se a Argentina reduzir o preço, ele acredita que será difícil a Rússia competir, já que o produto russo precisa pagar a Tarifa Externa Comum (TEC) de 10%, da qual os argentinos estão isentos.

Qualidade - Já Luiz Pacheco não acredita nessa competição por causa da qualidade do cereal russo. "O trigo deles é de baixa qualidade, não dá para usar na panificação. E, para moer, a indústria precisa adaptar as máquinas, o que ela não gosta de fazer", afirma.

Mercado interno - O impacto no mercado interno deve ser ainda menos relevante. Com mais de um mês para o início da colheita nacional de trigo, o preço do cereal brasileiro que está sendo negociado agora refere-se a volumes marginais e está se sustentando pelo efeito indireto da alta do dólar, segundo Vosnika. Como o Brasil é dependente de importações, o trigo nacional acaba oscilando conforme o valor em reais pelo qual o cereal estrangeiro chega ao país.


Fonte: Portal do Agronegócio