O consumo da farinha de trigo e de seus derivados – como pães, massas, bolos, biscoitos – além de gostoso é fundamental para uma alimentação saudável e equilibrada.
O trigo é fonte de carboidratos, proteínas, gordura, fibra, cálcio, ferro, ácido fólico. É um dos principais fornecedores de energia para o nosso dia a dia, atua na prevenção de diversas doenças e fornece vitaminas e minerais essenciais para o bom funcionamento do organismo.
Em falta, resulta em cansaço, fadiga muscular, alteração do sono, câimbras e perda de massa magra. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o trigo é o segundo alimento mais consumido no mundo. Só em 2017, foram consumidas mais de 740 milhões de toneladas.
O trigo é uma gramínea, um cereal, cujos grãos são pequenos, de forma oval e recobertos por uma casca dura.
O grão de trigo é dividido em casca, gérmen e endosperma. Cada uma destas partes tem suas características e respectiva importância para a alimentação humana
Fonte de fibras insolúveis, vitaminas do complexo B, zinco e potássio, entre outros minerais. Quando transformada em farelo de trigo para consumo, acelera o trânsito intestinal e ajuda a reduzir o risco de câncer nesta região do organismo.
Localizado na parte intermediária do grão, entre o farelo e o gérmen, é utilizado como base para fabricação da farinha de trigo e está presente nas receitas de massas, pães, bolos e biscoitos. Fonte de carboidratos, também ajuda a espantar a insônia e a ansiedade, aumenta a capacidade de concentração e a disposição física, reduz o risco de doenças coronárias, mantém a flora intestinal saudável e controla os níveis de colesterol.
Também conhecido como o embrião do grão, comercializado na forma de farelo ou óleo, é considerado uma excelente fonte de vitamina E, nutriente antioxidante que auxilia no combate aos radicais livres e contribui na redução do envelhecimento dos vasos sanguíneos. Rico em vitaminas do complexo B, em especial a B1 ou tiamina, que é fundamental na metabolização da glicose, em especial para os diabéticos.
Com o objetivo de contribuir cada vez mais com a geração de conhecimento para o setor, investimos em 2017 em um diagnóstico estruturado da cadeia do trigo (que envolve a agropecuária, agroindústria, serviços e insumos) e no levantamento específico do perfil dos moinhos brasileiros (a agroindústria). Para isso, encomendamos estudos para duas renomadas instituições, a FGV Projetos e a consultoria Demanda.
A cadeia produtiva do trigo gerou um volume de renda (PIB) para a sociedade brasileira de 25,3 bilhões em 2016. A agroindústria (moinhos) representou 22,4% desse total.
PIB DA CADEIA PRODUTIVA DO TRIGO: R$ 25,3 bilhões em 2016
Fonte: FGV Projetos
– Divisão da população ocupada na cadeia produtiva:
– Empregos gerados pela cadeia produtiva do trigo: 349.651
– Fonte: PNAD-Contínua (segundo trimestre de 2017)
Início do cultivo do trigo na Mesopotâmia, numa região chamada pelos historiadores de Crescente Fértil – área que hoje vai do Egito ao Iraque.
A “invenção” do pão, atribuída aos egípcios, após observarem o processo de fermentação de uma massa feita de farinha de trigo. Os primeiros biscoitos também apareceram no Egito. As receitas eram à base de trigo, água e mel.
Da Mesopotâmia, o trigo se espalhou pelo mundo. Na China, o trigo começou a ser usado como farinha e para fazer macarrão e pastel.
Estima-se que nesta época os árabes tenham levado para a Itália o macarrão – que teria origem chinesa. Eram preparações feitas de farinha e água, cortadas em fios que secavam ao sol para que pudessem ser conservadas por longos períodos.
Em Nápoles, Itália, os cozinheiros começaram a incluir verduras e queijo em um disco redondo de massa. É de lá que vem o termo picea, que seria a origem do nome da pizza.
O cultivo do trigo se expandiu nas regiões mais frias da Europa, como Rússia e Polônia. Os biscoitos tornaram-se extremamente úteis na era das grandes navegações e descobrimentos marítimos. Além de garantir doses de carboidratos aos navegantes, tinham a vantagem de não estragar.
Em 1958, no Japão, Momofuku Ando criou o macarrão instantâneo, conhecido como lámen.
O trigo chegou ao Brasil em 1534, trazido por Martim Afonso de Souza. Inicialmente, o clima quente dificultou seu cultivo, e os colonizadores registraram a falta de trigo, recorrendo à farinha de mandioca para o pão. No século XVIII, a cultura se desenvolveu no Rio Grande do Sul, mas a ferrugem dizimou as plantações no século XIX. O cultivo foi retomado nos anos 1920 e, a partir da década de 1940, expandiu-se no Rio Grande do Sul e Paraná, com este último se tornando o principal produtor. Apesar de avanços em pesquisa e produtividade, o Brasil ainda depende de importações, com cerca de 4 milhões de toneladas compradas, principalmente da Argentina e outros países sul-americanos.

Conhecido como trigo comum é a espécie mais cultivada. Com cerca de 15% de proteína, é amplamente utilizado na fabricação de pão.

Conhecido como tipo clube, é utilizado para a fabricação de biscoitos e bolos mais macios e menos crocantes. Tem um teor de proteínas em cerca de 8%.

Indicado para massas, essa espécie forma um glúten mais resistente, permitindo uma textura firme após o cozimento. O grão duro não é cultivado no Brasil.
O trigo, cultivado há cerca de 10 mil anos, chega aos moinhos com impurezas como palha, galhos, folhas e sementes de outros grãos. Inicialmente, ele passa por uma purificação e classificação por tamanho, recebe água e descansa para flexibilizar o farelo e facilitar a separação do endosperma. Em seguida, os grãos são triturados em várias fases com rolos e peneiras que extraem o máximo do miolo, separando os fragmentos do farelo. Por fim, a farinha limpa é submetida a um processo de redução, onde rolos lisos a transformam em um pó superfino.
Tipos de farinha de trigo
-O processo de moagem do grão do trigo dá origem à farinha de trigo e ao farelo de trigo, na proporção de 75% e 25%, em média. No Brasil, as farinhas são nomeadas pela quantidade de casca do grão do trigo misturada a elas. Existem no mercado as farinhas refinadas brancas Tipo 1 e Tipo 2 (um pouco mais amareladas, também chamadas especiais) e as farinhas integrais (grossa e fina). Todos esses tipos de farinha são destinados à fabricação industrial, artesanal e doméstica de pães, massas, biscoitos entre outros. Além da farinha e do farelo, os moinhos também disponibilizam ao mercado a fibra, o gérmen e os flocos de trigo, bem como o grão inteiro e o triguilho (grão triturado, usado no preparo de quibes saladas, por exemplo).
Tipo 1: a farinha Tipo 1 é produzida a partir da moagem do miolo do grão com um mínimo de farelo da casca e contém principalmente carboidratos (amido) e proteínas (glúten). É indicada para a preparação de pães, bolos e confeitaria em geral, além de massas, como macarrão, pastel, pizza e folhadas.
Tipo 2: a farinha do Tipo 2 é extraída da parte mais externa do grão do trigo (próxima da casca) apresenta uma coloração mais escura e amarelada, com grãos mais grossos e que absorvem menor quantidade de água. É utilizada para a confecção de biscoitos com ou sem recheio e cookies.
Integral: a farinha integral é feita a partir da moagem do grão completo, por isso tem alta quantidade de fibras que promove maior absorção de água – daí a necessidade de aumentar cerca de 30% a quantidade de água nas receitas à base de farinha integral. Indicada para massas mais consistentes, como pão integral e de centeio, bolos de frutas e cereais.
Propriedades de benefícios de cada tipo de farinha
+Farinha de trigo branca
Considerada uma das principais bases da alimentação dos povos em todo o planeta, é indicada para ser consumida no dia a dia, pois contribui para a digestão e manutenção da boa forma. Fonte de carboidratos, também ajuda a espantar a insônia e a ansiedade, aumenta a capacidade de concentração e a disposição física, reduz o risco de doenças coronárias, mantêm a flora intestinal saudável e controla os níveis de colesterol.
Farinha de trigo integral
Obtida pelo acréscimo do farelo à farinha branca ou extraída no início do processo de moagem, além de ser fonte de fibras, possui altos teores de vitaminas, sais minerais e proteínas, fatores que ajudam a reduzir o estoque de gordura no abdômen e diminuir os riscos de doenças cardíacas.
Tabelas nutricionais da farinha de trigo
+Confira a tabela nutricional da Farinha de Trigo Tipo I e Tipo II

Confira a tabela nutricional da Farinha de Trigo integral
