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Oferta abundante pode pressionar rentabilidade do produtor em 2018

Com ajuda do clima, as produções de grãos e cereais atingiram volumes recordes, pelo menos nos últimos dois anos. Assim, os estoques de grãos seguem em volumes bem satisfatórios. No caso do trigo, a relação estoque consumo está no maior nível desde a safra 1999/2000, segundo dados do USDA. Nesse ambiente, de acordo com pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, não é de se esperar elevação de preços em 2018, muito menos de forma intensa. Compradores/consumidores são favorecidos por esse cenário, mas a rentabilidade de produtores segue pressionada.

Mesmo nesse contexto, alguns países continuam produzindo o trigo, tanto por ainda ser uma boa alternativa quanto por indisponibilidade de culturas concorrentes. Já em outros países, o trigo segue perdendo espaço para os grãos, como é o caso do Brasil e dos Estados Unidos.

De acordo com dados de USDA, a área mundial cultivada com trigo na temporada 2017/18 foi estimada em 219,7 milhões de hectares – vale considerar que, para a maioria dos países, esta área foi colhida em 2017, mas a oferta envolve o produto que será comercializado até pelo menos o terceiro trimestre de 2018. A produtividade média mundial atingiu recorde, de 3,44 t/ha, resultando em produção também recorde, de 755,21 milhões de toneladas.

Entre os grandes produtores internacionais, a área com trigo nos Estados Unidos teve queda nos últimos três anos, uma vez que culturas como soja, milho e algodão estiveram mais rentáveis aos produtores. Para o trigo de inverno, já semeado, os primeiros dados devem ser divulgados ainda neste mês, mas não se esperam grandes mudanças em relação à área de 2017. Entretanto, o trigo de primavera pode continuar cedendo espaço para outras culturas. A oferta de trigo na temporada 2017/18 reduziu 24,6% em relação à anterior. Outro país com redução mais intensa da oferta de trigo foi a Austrália (-35,8%), devido ao clima desfavorável.

Por outro lado, a oferta segue elevada, ou recorde, em outros importantes países produtores. Na Índia, na Rússia e na Turquia, as produções foram recordes e com saltos de 13,1%, 14,4% e 21,7%, respectivamente, sobre a temporada anterior. Com maior oferta, o excedente exportável também se ampliou nos principais players internacionais. Somente Austrália, Ucrânia e Estados Unidos devem perder espaço nas vendas externas, com ganhos para Rússia e Canadá, especialmente. A Rússia, a Ucrânia e a União Europeia devem representar 43% do comércio mundial de trigo. Por isso, o clima nestas regiões deve influenciar as perspectivas mundiais de oferta e demanda de trigo.

Quanto ao consumo, o aumento populacional e preços atrativos devem elevar a demanda, mas de forma relativamente tímida. Por isso, a relação estoque consumo deve continuar crescendo, pressionando os valores internacionais.

Nesse contexto, as cotações na Bolsa de Chicago (CME Group) operam nos menores patamares em mais de 20 anos, em termos nominais. O contrato Março/18 é negociado em torno dos US$ 4,25/bushel e Set/18, dos US$ 4,60/bushel. Somente contratos com vencimento no segundo semestre de 2019 que operam acima de US$ 5,00/bushel.

Como o Brasil importa mais de 50% do volume que consome internamente, os menores preços externos favorecem moinhos, dependendo do dólar – neste caso, em ano de eleição, é difícil prever a movimentação da moeda norte-americana em 2018.

Para a temporada atual (ano safra que vai de agosto/17 a julho/18), as importações brasileiras são estimadas pela Conab em 7,2 milhões de toneladas, o maior volume em uma década. Na parcial da safra 2017/18, já chegaram aos portos brasileiros 2,01 milhões de toneladas, de acordo com a Secex.

Na Argentina, maior fornecedora do Brasil, a expectativa é de queda nos preços, devido à maior oferta no país e às boas perspectivas para a temporada atual

Para produtores brasileiros, também não há expectativas de grandes alterações dos preços neste ano. A liquidez deve ser influenciada pelos amplos estoques de moinhos, pelas importações e pelo dólar. Quanto à área a ser plantada em 2018, a concorrência com milho de segunda safra continuará sendo fator de impacto, especialmente no Paraná, Mato Grosso do Sul e no Sudeste. O trigo pode ser uma boa alternativa nestas regiões caso a colheita de soja atrase, que pode haver reflexos sobre o cultivo do milho e, em período ideal, talvez o trigo possa até ser uma alternativa.

Nos estados Sul, principalmente no sul do Paraná, produtores buscam outras alternativas de culturas de inverno, em detrimento do trigo. A liquidez das demais culturas, a liberação de créditos e seguros agrícolas e o clima serão fatores de impacto na tomada de decisão de produtores destas praças.

DERIVADOS – Agentes consultados pelo Cepea acreditam em preços maiores em 2018, pelo menos no primeiro semestre do ano, para todos os segmentos de farinhas, fundamentados na necessidade de repasse dos maiores custos, sejam eles de produção, aquisição e transporte.

Já no segmento de farelo, os crescimentos nos setores de bovinocultura de leite e pet (cães e gatos) podem impulsionar os valores do derivado do trigo, especialmente no primeiro semestre. Por outro lado, as altas nos preços do farelo devem ser contidas nos últimos seis meses de 2018 pela concorrência com o milho.

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Fonte: Portal do Agro Negócio