CBOT: soja e milho tendem a abrir em alta. TrIgo deve iniciar em queda

28/01/2019



Os contratos futuros de grãos devem começar a sessão desta sexta-feira em direções distintas na Bolsa de Chicago (CBOT). A depreciação do dólar no exterior tende a contribuir para um movimento altista dos grãos, já que torna as commodities cotadas na divisa norte-americana mais atraentes para investidores estrangeiros.

soja deve abrir em alta, puxada por um sentimento otimista de eventual acordo entre Estados Unidos e China. Traders também estão na expectativa de possível encontro entre representantes dos dois países, previsto para ocorrer nos dias 30 e 31 de janeiro. Em compensação, dados da demanda chinesa pela oleaginosa podem exercer pressão baixista neste pregão.

Nesta manhã, o Departamento de Alfândegas da China informou que as importações chinesas de soja totalizaram 88,03 milhões de toneladas no acumulado de 2018, recuo de 7,8% ante 2017, quando foram importados 95,5 milhões de toneladas. Apesar de representar um declínio na comparação anual, o número é 5,2% maior que o inicialmente previsto pelo governo asiático, de 83,65 milhões de toneladas. O resultado anual é o mais baixo desde 2008. O levantamento leva em conta o período de intensificação da guerra comercial entre EUA e China, com a aplicação da tarifa de 25% sobre a importação da oleaginosa norte-americana, e a redução de consumo do país asiático em virtude da epidemia de peste suína africana (ASF, na sigla em inglês).

milho também deve abrir em alta. Entretanto, analistas consideram que investidores tendem a operar com cautela neste pregão, influenciados pela queda na produção semanal de etanol. "A realidade é que os comerciantes não estão dispostos a empurrar os preços do milho em nenhuma direção", disse o analista de mercado da consultoria de commodities agrícolas, Summit Commodity Brokerage, Tomm Pfitzenmaier. Segundo a Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês), a produção média foi de 1,031 milhão de barris por dia na semana encerrada em 18 de janeiro, queda de 1,9% em relação à semana anterior. Esses dados são importante indicador da demanda interna pelo cereal norte-americana. Nos EUA, o biocombustível é feito principalmente com milho, cerca de um terço do cereal é destinado à produção do etanol. O desempenho do petróleo também movimentará as especulações com o cereal porque influencia a competitividade relativa do etanol.

Em direção oposta, o trigo pode iniciar em queda. A consultoria Fitch Solutions considera que os dados de quebra na produção australiana já estão precificados pelo mercado e que a ausência de dados dos EUA desencoraja a tomada de risco pelos investidores. "A atenção do mercado agora se voltará para o plantio no Hemisfério Norte, que começa em fevereiro". A consultoria prevê uma safra robusta na região, por causa dos elevados preços do cereal e acrescenta que isso deve manter as cotações com alta limitada.

No overnight, o vencimento março da soja subiu 1,25 cent (0,14%), a US$ 9,1725 por bushel. O milho para março avançou 1 cent (0,27%), a US$ 3,7800 por bushel, enquanto igual vencimento do trigo perdeu 1,75 cent (0,34%), a US$ 5,1975 por bushel. (Isadora Duarte, isadora.duarte@estadao.com, com informações da Dow Jones Newswires)


Fonte: Broadcast Agro