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Novas cultivares de trigo: qualidade, rendimento e resistência a doenças

A questão da qualidade industrial do trigo brasileiro passou a ser considerada a partir do início da década de 90, com o fim da compra estatal desse cereal. Desse momento em diante, as entidades de pesquisa passaram a considerar fortemente esta característica na sua metodologia de seleção na obtenção de novas cultivares.


Neste contexto, e diante do cenário de mercado de trigo nacional, a equipe de pesquisadores sediada na sede da Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS), passou a trabalhar, principalmente, na indicação de cultivares de trigo Classe Brando, ao passo que as equipes sediadas em Londrina (PR) e em Brasília (DF) tinham como foco cultivares de Classe Pão e/ou Melhorador.
No cenário recente, em que as cultivares argentinas passaram a ter valor de força de glúten (W) menor, e considerando a nova classificação brasileira de trigo referente à qualidade industrial, a equipe de Passo Fundo passa a também adotar, como foco principal, a indicação de cultivares tipo Classe Pão. Desta forma, os futuros lançamentos de cultivares de trigo da Embrapa, que estão previstos a partir de 2013, obedecerão aos índices reológicos de Classe Pão e/ou Melhorador, segundo a IN nº 38 do MAPA, que trata da mudança dos índices de qualidade industrial do trigo brasileiro.
Além da qualidade industrial, os novos trigos deverão apresentar maior rendimento de grãos e tolerância a doenças - inclusive para giberela, principal doença de espiga que é fonte da micotoxina DON (deoxinivalenol). Com relação à redução da ocorrência da micotoxina, a Embrapa Trigo está fazendo um alerta aos produtores de trigo nesta safra, orientando como reduzir a incidência de giberela e alertando para as consequências da doença.


Além do controle químico através da aplicação de fungicidas, a pesquisa trabalha na busca por cultivares com resistência genética a essa doença. A pesquisa está avaliando metodologias capazes de determinar o índice de infecção das micotoxinas nos grãos de trigo e como reduzi-la.


Com relação a resolução da ANVISA, que passou a vigorar em 2011 restringindo ainda mais os níveis de tolerância a micotoxinas nesta safra, a Embrapa nada pode mudar, haja vista que é uma decisão de vários ministérios, envolvendo não somente o trigo, mas também outros produtos agrícolas.


No tocante à IN nº 38, do MAPA, acredito que vem adequar a qualidade dos trigos brasileiros à demanda do mercado e que, ao passar dos anos, poderá sofrer novas alterações, se assim exigirem as demandas de mercado. Por parte da pesquisa, na última reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale, realizada em julho de 2011, foram reclassificadas todas as cultivares existentes no mercado, inclusive ordenadas por região tritícola e por estado, que passam a valer na safra de 2012. Em breve, a tabela com a reclassificação estará disponível nas diferentes entidades obtentoras de cultivares, bem como no site da Embrapa Trigo.




Sergio Roberto Dotto, chefe geral da Embrapa Trigo
23-09-2011
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