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Na Indústria de Moagem, as lideranças
começaram a organizar-se regionalmente,
segundo dois enfoques distintos. Na região
Sul, única produtora de trigo em meados
do século passado, havia um grande número
de pequenos e micros moinhos, a maioria disseminada
pelo interior dos Estados do Rio Grande do Sul,
Santa Catarina e, posteriormente, do Paraná.
Já, na Região Sudeste, especialmente
no Rio de Janeiro e em São Paulo, haviam
moinhos maiores, que tinham sua localização
voltada para as grandes áreas de consumo.
Nem sempre os interesses dos moinhos das áreas
de consumo coincidiam com os das zonas de produção.
Em conseqüência, muitas décadas
se passaram antes que se viabilizasse a constituição
de uma entidade de caráter nacional.
A intervenção do Estado na comercialização
e industrialização do trigo no Brasil,
assim como em muitos países, inclusive
do Primeiro Mundo, obrigou os moinhos a se organizarem,
para poder dialogar com as autoridades, em defesa
de seus interesses. No Brasil, a intervenção
praticamente transformou os moinhos em facioneiros
do Estado. Em 1949, foi proibida a importação
de farinhas, em 1952, a importação
de trigo passou a ser monopólio do Estado
que, em 1962, tornou-se o único comprador
de trigo nacional. O Governo distribuía
o trigo aos moinhos segundo um regime de cotas,
estabelecia os tipos de farinhas a serem fabricados
e os respectivos preços de venda. Controlava
até a venda do subproduto, o farelo. Restava
ao moinho empenhar-se na redução
de custos. Junto ao Governo, era imprescindível
batalhar pela atualização das cotas,
em relação à evolução
do consumo, dos preços e diante da inflação.
Além desses temas, muitos outros obrigavam
um contínuo diálogo com os setores
responsáveis.
Em 1938, foi criado o Serviço de Fiscalização
do Comércio de Farinhas, de inexpressiva
atuação e que foi substituído,
em 05/01/1944, pelo famigerado SET – Serviço
de Expansão do Trigo, que se notabilizou
por distribuir cotas de trigo e dispor sobre a
venda de farinhas segundo critérios altamente
discutíveis. Em uma reação
moralizadora, foi editado o Decreto-Lei no. 210/67
que, aliando-se à reorganizada compra estatal,
administrada pelo Banco do Brasil, no CTRIN, o
Departamento de Comercialização
do Trigo, estabeleceu regras que incentivaram
a produção nacional, asseguraram
o abastecimento, reestruturaram a moagem e controlaram
o dispêndio de divisas. Tais regras vigeram
por 23 anos, até que, em novembro 1990,
com o advento da Lei no. 8096 foram liberadas
a comercialização e industrialização
do trigo, eximindo o Estado da tutela sobre o
setor.
A Lei 8096/90 encerra um ciclo de intervenção
que começou séculos antes. Como
exemplos, temos a “Queixa do povo da cidade
da Bahia de Todos os Santos à sua Majestade,
de 02/05/1652, em decorrência do estanco
de farinha que El Rei concedera à Companhia
Geral do Comércio” e a Providência
da Câmara de São Paulo, de 1716:
“Fazemos saber a todos e quaisquer pessoas
desta cidade, estantes e habitantes, que de hoje
em diante não se venda pão de trigo
com menos peso que uma libra por quatro vinténs
e sendo o caso se faça o contrário,
serão condenados cada um em seis mil réis
e o pão perdido”, transcritos por
Carlos Alberto Pires e Albuquerque em seu estudo
sobre legislação de trigo.
Obviamente, os moinhos de trigo deveriam estar
organizados para poder interagir com o Governo,
assim, dando ensejo à criação
dos Sindicatos e Associações, objetivando
a representação na luta pelos interesses
da indústria brasileira de moagem de trigo,
tendo como marco inicial, a Fundação
do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado
do RJ, em 02/05/33, porém, somente reconhecido
em 31/07/42.
Deu inicio à criação de outros
sindicatos, como a Fundação do Sindicato
da Indústria do Trigo no Rio Grande do
Sul, em 1939, reconhecido em 1942 quando chegou
a possuir 420 associados e o Sindicato de São
Paulo, reconhecido em 1941, com 7 associados.
Na década de cinqüenta, observamos
a fundação do Sindicato de Santa
Catarina, em 08/12/1952, com 36 associados, do
Sindicato do Paraná, em 30/09/1952, com
45 associados e do Sindicato do Pará, Paraíba,
Ceará e Rio Grande do Norte, em 11/09/1958.
Em 28/06/1972, foi criada a Associação
da Indústria do Trigo no Estado de Santa
Catarina, sob a presidência do Senhor Udilo
Antônio Coppi.
Em 23/04/1974, foi instalada a Associação
de Moinhos de Trigo do Norte e Nordeste do Brasil,
com sede na Cidade do Recife - Pernambuco e tendo
como Presidente o Senhor Gerardo Dias Macêdo.
No ano de 1984, nos dias 17 e 22 de março,
foram instaladas a Associação dos
Moageiros de Trigo do Paraná e Associação
Riograndense da Indústria, respectivamente,
tendo como Presidente, no Paraná, o Senhor
Roland Guth e, no Rio Grande do Sul, o Senhor
Walter Otto Bing.
A Associação Riograndense encerrou
suas atividades em 1996, sendo incorporada pelo
Sindicato da Indústria do Trigo no Estado
do Rio Grande do Sul.
A Associação das Indústrias
de Trigo nos Estados do Rio de Janeiro, Minas
Gerais, Espírito Santo, Goiás e
Mato Grosso do Sul, com sede no Rio de Janeiro,
iniciou suas atividades no dia 04 de maio de 1984,
com o Senhor Ervin Kirschner como Presidente.
A Associação Paulista da Indústria
do Trigo foi instalada em 17/01/1985, sob a presidência
do Senhor João Martins Filho, tendo, hoje
em dia, suas atividades incorporadas ao Sindicato
da Indústria do Trigo no Estado de São
Paulo.
A Associação de Moinhos de Trigo
no Ceará iniciou suas atividades em 10/03/1986,
sob a Presidência do Senhor Amarílio
Proença de Macedo.
Com a finalidade de prestar serviços de
assistência e de apoio à indústria
brasileira do trigo, foi criado, em 29/04/1986,
o Escritório de Representação
da Indústria do Trigo, em Brasília
– DF.
Com a edição do moralizador Decreto-Lei
no. 210/67, os Sindicatos regionais puderam dedicar-se
à reorganização da indústria
e elevação de sua credibilidade,
em luta contra um sistema ditatorial que, com
base no poder militar impunha às repartições
e demais órgãos do Governo uma sistemática
de ação à revelia do setor
privado.
Lentamente, as lideranças foram se fazendo
ouvir, ao mesmo tempo em que granjeavam respeito
e apoio das bases, dos associados, concomitantemente,
no mesmo Estado, um Sindicato e uma Associação,
foram instituídas por conta dos controles
então incidentes sobre os sindicatos, subordinados
ao Ministério do Trabalho. A necessidade
de um contato contínuo com o Governo Federal
levou os Sindicatos/Associações
regionais a montar, em 1986, em Brasília,
o Escritório de Representação
da Indústria do Trigo, o que pode ser considerado
o primeiro passo efetivo para a criação
de uma entidade nacional.
Na década de noventa, a partir da desregulamentação
da Indústria, as prioridades mudaram e
os interesses regionais perderam espaço
para um posicionamento nacional. Restava ainda
uma dificuldade, os presidentes dos Sindicatos
regionais estavam acostumados a participar, em
bloco, nas audiências concedidas por autoridades
importantes, a começar pelos Ministros
de Estado. Acertada a continuidade da participação
conjunta, os Sindicatos e as Associações
optaram por criar uma Associação
Nacional, desde que fosse reconhecido o direito
de veto de cada um deles, ou seja, que as decisões
fossem sempre por consenso.
Nestes termos, foi constituída a Associação
Brasileira da Indústria do Trigo –
ABITRIGO, em 17/06/1991, Sociedade Civil sem fins
lucrativos, com sede e foro jurídico na
cidade do Rio de Janeiro, tendo como mantenedoras
as seguintes entidades:
1. Associação
Riograndense da Indústria do Trigo, representada
por seu Presidente Walter Otto Bing;
2. Associação
da Indústria do Trigo do Estado de Santa
Catarina, representada por seu Presidente Udilo
Antônio Coppi;
3. Associação
das Indústrias do Trigo nos Estados do
Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito
Santo, Goiás e Mato Grosso do Sul, representada
por seu Presidente, Ervin Kirschner;
4. Associação
Paulista da Indústria do Trigo, representada
por seu Presidente João Martins Filho;
5. Associação
dos Moageiros de Trigo do Paraná, representada
por seu Presidente Roland Guth;
6. Associação
dos Moinhos de Trigo do Norte e Nordeste do Brasil,
representada por seu Presidente Carlos Wiethaeuper
e;
7. Associação
da Indústria do Trigo do Ceará,
representada por seu Presidente Amarílio
Proença de Macêdo.
A contribuição de cada Associação
foi estabelecida na proporção das
cotas de trigo anteriormente distribuídas
pelo Governo para os citados Estados/Regiões,
em, respectivamente, 9, 4, 28, 26, 8, 21 e 4%.
Foi eleito para o cargo de Diretor Presidente,
neste primeiro mandato, Antenor Gomes de Barros
Leal Filho, que teve como Vice-Presidentes os
anteriormente nominados Presidentes das entidades
mantenedoras, contando ainda, como Vice-Presidentes
Executivos, com Cristian Albert Randrup e Reino
Pécala Rae. Completavam a Diretoria o Diretor
Primeiro Secretário, Mário Venturelli,
o Diretor Segundo Secretário Adjunto, Américo
Buaiz, o Diretor Primeiro Tesoureiro, Horácio
Marofa e o Diretor Segundo Tesoureiro Adjunto,
Edmundo Sperb Filho.
Nos anos de 1991 a 1999, a ABITRIGO firmou-se
como o interlocutor da moagem perante todos os
públicos, especialmente diante do governo
e da mídia. Criou-se um relacionamento
contínuo com entidades de outros países
como a US Wheat e o Canadian Wheat Board. Associou-se
a ALIM – Asociacion Latinoamericana de Industriales
Molineros. Consolidando experiências anteriores,
como a Reunião Nacional da Indústria,
em Fortaleza, a 20/21 de março de 1980,
instituiu-se a tradição dos “Seminário
Internacional de Trigo – Brasil”,
o primeiro dos quais foi realizado, em 1993, no
Rio de Janeiro e que já se encontra na
XI edição, a última realizada
em São Paulo, em 2004. Ao longo desses
anos firmou-se, também o conceito de que
a ABITRIGO somente cuida de assuntos de interesse
geral dos associados, não tomando partidos
nas questões conflitantes entre os Sindicatos/Associações
regionais. Como prioridade, a ABITRIGO empenha-se
em alcançar condições objetivas
para a prosperidade da moagem. Assim, lhe compete,
continuamente, alardear a qualidade e importância
dos alimentos derivados do trigo, a partir de
uma feliz combinação de centenas
de proteínas com carboidratos de primeira
grandeza e assegurar que o ambiente industrial
seja propício ao bom desenvolvimento da
Indústria Moageira.
Antenor Barros Leal, grande propulsor da criação
da entidade de caráter nacional, foi reeleito
por vários mandatos até que, em
22/11/1999, propôs uma chapa liderada por
Roland Guth, acatada pelos Presidentes das entidades
mantenedoras e Vice-Presidentes natos da ABITRIGO,
Antenor Gomes de Barros Leal Filho, Cássio
Rothschild de Souza, José Honório
Gonçalves de Tófoli, Luis Fett e
Amarílio Proença de Macedo. Roland
Guth indicou, ainda, como seu substituto, o representante
do Paraná, Mario Venturelli. Compunham
a Diretoria, Os Vice-Presidentes Executivos Domingos
Costa, Francisco Renato da Costa Garcez, Martinho
da Mota Silveira Neto e Reino Pécala Rae.
Primeiro Secretário: Lauro Kerber; Segundo
Secretário: Carlos Wiethaeuper; Primeiro
Tesoureiro: Élcio Alves; Segundo Tesoureiro:
Romeu José Massignan e Diretor Técnico:
Eloy Gomes.
Roland Guth comandou a ABITRIGO até 2004,
mantendo a linha de ação da administração
anterior, com, agora, uma ênfase especial
de apoio à triticultura nacional. Com a
ação conjunta do Governo, triticultura,
cooperativas, entidades de pesquisa e outras,
foram montados planos para a recuperação
do setor. Diante da conjuntura internacional favorável,
a nossa produção cresceu rapidamente,
de 2 a 3 milhões para o patamar de 6 milhões
de toneladas. Da safra de 2003 chegou-se a exportar
1,3 milhões de toneladas. Anteriormente,
as últimas e pequenas exportações
foram insignificantes.
Uma questão preocupava os associados da
ABITRIGO e a sua Diretoria: a necessidade de profissionalização
da administração, porque os dirigentes
de moinhos não podiam dedicar-se em tempo
integral à entidade. Outro tema em debate
referia-se à importância de uma ligação
direta entre os moinhos e a ABITRIGO, em lugar
da sistemática de operação
via mantenedoras. Longos debates foram travados
sobre tais temas, estudos técnicos contratados,
até que assembléias legais vieram
estabelecer um novo modelo. Os Sindicatos/Associações
mantenedores retiraram-se da ABITRIGO, sendo substituídas
diretamente pelos moinhos interessados.
Em 15/04/2004, foi realizada a Assembléia
Geral Extraordinária que alterou os Estatutos,
retirando-se da Associação os Sindicatos/Associações
regionais e ingressando como novos associados,
46 moinhos e estabelecendo que, nas assembléias
gerais de associados, os votos são computados
a partir da proporção de contribuição
de cada um no total arrecadado, sendo a contribuição
fixada com base na moagem efetiva de trigo no
ano anterior. Como estrutura administrativa, os
novos Estatutos prevêem, além da
Assembléia Geral de Associados, um Conselho
Deliberativo de 19 membros, todos representantes
de empresas associadas, sendo nove por indicação
das diferentes zonas do País e dez por
escolha a partir de votos qualificados e um Conselho
Fiscal, composto de três associados. O Conselho
Deliberativo elege seu Presidente. Há,
ainda um Comitê de Estratégia e Gestão,
composto pelo Presidente do Conselho Deliberativo
e por quatro outros membros, participantes do
Conselho e por ele eleitos. Este Comitê
reúne-se freqüentemente para apoiar
o trabalho do Diretor Presidente da ABITRIGO,
agora um profissional contratado, com dedicação
integral.
Em 22/07/2004, outra Assembléia Geral Extraordinária deliberou sobre a mudança da sede da entidade do Rio de Janeiro para São Paulo. Considerando-se o tempo de adaptação aos novos Estatutos e para a mudança da sede, pode-se considerar que a ABITRIGO entrou em sua nova rotina de trabalho a partir de 2005.
A partir de novembro de 2007, a administração da ABITRIGO passou por uma reestruturação geral. Com a saída do Presidente Francisco Samuel Hosken, as diretrizes passaram a ser coordenadas pelo Presidente do Conselho Deliberativo, Sr.Luiz Martins. A estrutura interna da associação foi modificada, passando a ser atendida por um Diretor Executivo temporário, o Sr. João Silvio Ferreira, contratado também para Assessorar administrativa e financeiramente a Associação; além de uma Assessoria Técnica, uma Secretaria e um Centro de Processamento de Dados e a implantação de um Servidor Central para o Banco de Dados.
A partir de janeiro de 2008 foram contratados também, os senhores Reino Pécala Rae e Ro-land Guth para desenvolver atividades como Assessores Institucionais, representando a Abitrigo junto às Câmaras Setoriais, aos eventos da cadeia produtiva do trigo, etc.
No período de Novembro de 2007 a Julho de 2008, o Conselho Deliberativo buscou um candidato para a Presidência efetiva da Associação, através de agências selecionadoras e do relacionamento dos membros conselheiros e associados.
Finalmente, uma opção que já vinha sendo pesquisada, em junho de 2008 foi concretizada, com a designação do Embaixador Sergio Amaral, para Presidente da ABITRIGO.
O Embaixador Sergio Amaral já vinha colaborando com a associação há aproximadamente um ano, através da Felsberg & Associados, empresa que prestou serviços jurídicos para a Abitrigo. Ao longo desse tempo, os conselheiros Luiz Martins, Antenor Barros Leal e Lawrence Pih, avaliavam com o próprio Embaixador Sergio Amaral, a possibilidade e as condições de ele vir a assumir o cargo de Presidente.
Como resultado desses entendimentos, o Embaixador Sergio Amaral aceitou o desafio proposto e foi eleito pelo Conselho Deliberativo e homologado em Assembléia Geral Ex-traordinária, com a aprovação da sua designação para o cargo e início das atividades, a partir de 1° de julho de 2008.
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