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XV Seminário Internacional do Trigo - Brasil

 
O Movimento Associativo e a Constituição da ABITRIGO


Na Indústria de Moagem, as lideranças começaram a organizar-se regionalmente, segundo dois enfoques distintos. Na região Sul, única produtora de trigo em meados do século passado, havia um grande número de pequenos e micros moinhos, a maioria disseminada pelo interior dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e, posteriormente, do Paraná. Já, na Região Sudeste, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, haviam moinhos maiores, que tinham sua localização voltada para as grandes áreas de consumo. Nem sempre os interesses dos moinhos das áreas de consumo coincidiam com os das zonas de produção. Em conseqüência, muitas décadas se passaram antes que se viabilizasse a constituição de uma entidade de caráter nacional.

A intervenção do Estado na comercialização e industrialização do trigo no Brasil, assim como em muitos países, inclusive do Primeiro Mundo, obrigou os moinhos a se organizarem, para poder dialogar com as autoridades, em defesa de seus interesses. No Brasil, a intervenção praticamente transformou os moinhos em facioneiros do Estado. Em 1949, foi proibida a importação de farinhas, em 1952, a importação de trigo passou a ser monopólio do Estado que, em 1962, tornou-se o único comprador de trigo nacional. O Governo distribuía o trigo aos moinhos segundo um regime de cotas, estabelecia os tipos de farinhas a serem fabricados e os respectivos preços de venda. Controlava até a venda do subproduto, o farelo. Restava ao moinho empenhar-se na redução de custos. Junto ao Governo, era imprescindível batalhar pela atualização das cotas, em relação à evolução do consumo, dos preços e diante da inflação. Além desses temas, muitos outros obrigavam um contínuo diálogo com os setores responsáveis.

Em 1938, foi criado o Serviço de Fiscalização do Comércio de Farinhas, de inexpressiva atuação e que foi substituído, em 05/01/1944, pelo famigerado SET – Serviço de Expansão do Trigo, que se notabilizou por distribuir cotas de trigo e dispor sobre a venda de farinhas segundo critérios altamente discutíveis. Em uma reação moralizadora, foi editado o Decreto-Lei no. 210/67 que, aliando-se à reorganizada compra estatal, administrada pelo Banco do Brasil, no CTRIN, o Departamento de Comercialização do Trigo, estabeleceu regras que incentivaram a produção nacional, asseguraram o abastecimento, reestruturaram a moagem e controlaram o dispêndio de divisas. Tais regras vigeram por 23 anos, até que, em novembro 1990, com o advento da Lei no. 8096 foram liberadas a comercialização e industrialização do trigo, eximindo o Estado da tutela sobre o setor.

A Lei 8096/90 encerra um ciclo de intervenção que começou séculos antes. Como exemplos, temos a “Queixa do povo da cidade da Bahia de Todos os Santos à sua Majestade, de 02/05/1652, em decorrência do estanco de farinha que El Rei concedera à Companhia Geral do Comércio” e a Providência da Câmara de São Paulo, de 1716: “Fazemos saber a todos e quaisquer pessoas desta cidade, estantes e habitantes, que de hoje em diante não se venda pão de trigo com menos peso que uma libra por quatro vinténs e sendo o caso se faça o contrário, serão condenados cada um em seis mil réis e o pão perdido”, transcritos por Carlos Alberto Pires e Albuquerque em seu estudo sobre legislação de trigo.

Obviamente, os moinhos de trigo deveriam estar organizados para poder interagir com o Governo, assim, dando ensejo à criação dos Sindicatos e Associações, objetivando a representação na luta pelos interesses da indústria brasileira de moagem de trigo, tendo como marco inicial, a Fundação do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do RJ, em 02/05/33, porém, somente reconhecido em 31/07/42.

Deu inicio à criação de outros sindicatos, como a Fundação do Sindicato da Indústria do Trigo no Rio Grande do Sul, em 1939, reconhecido em 1942 quando chegou a possuir 420 associados e o Sindicato de São Paulo, reconhecido em 1941, com 7 associados.

Na década de cinqüenta, observamos a fundação do Sindicato de Santa Catarina, em 08/12/1952, com 36 associados, do Sindicato do Paraná, em 30/09/1952, com 45 associados e do Sindicato do Pará, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, em 11/09/1958.

Em 28/06/1972, foi criada a Associação da Indústria do Trigo no Estado de Santa Catarina, sob a presidência do Senhor Udilo Antônio Coppi.

Em 23/04/1974, foi instalada a Associação de Moinhos de Trigo do Norte e Nordeste do Brasil, com sede na Cidade do Recife - Pernambuco e tendo como Presidente o Senhor Gerardo Dias Macêdo.

No ano de 1984, nos dias 17 e 22 de março, foram instaladas a Associação dos Moageiros de Trigo do Paraná e Associação Riograndense da Indústria, respectivamente, tendo como Presidente, no Paraná, o Senhor Roland Guth e, no Rio Grande do Sul, o Senhor Walter Otto Bing.

A Associação Riograndense encerrou suas atividades em 1996, sendo incorporada pelo Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Rio Grande do Sul.

A Associação das Indústrias de Trigo nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso do Sul, com sede no Rio de Janeiro, iniciou suas atividades no dia 04 de maio de 1984, com o Senhor Ervin Kirschner como Presidente.

A Associação Paulista da Indústria do Trigo foi instalada em 17/01/1985, sob a presidência do Senhor João Martins Filho, tendo, hoje em dia, suas atividades incorporadas ao Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo.

A Associação de Moinhos de Trigo no Ceará iniciou suas atividades em 10/03/1986, sob a Presidência do Senhor Amarílio Proença de Macedo.

Com a finalidade de prestar serviços de assistência e de apoio à indústria brasileira do trigo, foi criado, em 29/04/1986, o Escritório de Representação da Indústria do Trigo, em Brasília – DF.

Com a edição do moralizador Decreto-Lei no. 210/67, os Sindicatos regionais puderam dedicar-se à reorganização da indústria e elevação de sua credibilidade, em luta contra um sistema ditatorial que, com base no poder militar impunha às repartições e demais órgãos do Governo uma sistemática de ação à revelia do setor privado.

Lentamente, as lideranças foram se fazendo ouvir, ao mesmo tempo em que granjeavam respeito e apoio das bases, dos associados, concomitantemente, no mesmo Estado, um Sindicato e uma Associação, foram instituídas por conta dos controles então incidentes sobre os sindicatos, subordinados ao Ministério do Trabalho. A necessidade de um contato contínuo com o Governo Federal levou os Sindicatos/Associações regionais a montar, em 1986, em Brasília, o Escritório de Representação da Indústria do Trigo, o que pode ser considerado o primeiro passo efetivo para a criação de uma entidade nacional.

Na década de noventa, a partir da desregulamentação da Indústria, as prioridades mudaram e os interesses regionais perderam espaço para um posicionamento nacional. Restava ainda uma dificuldade, os presidentes dos Sindicatos regionais estavam acostumados a participar, em bloco, nas audiências concedidas por autoridades importantes, a começar pelos Ministros de Estado. Acertada a continuidade da participação conjunta, os Sindicatos e as Associações optaram por criar uma Associação Nacional, desde que fosse reconhecido o direito de veto de cada um deles, ou seja, que as decisões fossem sempre por consenso.

Nestes termos, foi constituída a Associação Brasileira da Indústria do Trigo – ABITRIGO, em 17/06/1991, Sociedade Civil sem fins lucrativos, com sede e foro jurídico na cidade do Rio de Janeiro, tendo como mantenedoras as seguintes entidades:

1. Associação Riograndense da Indústria do Trigo, representada por seu Presidente Walter Otto Bing;

2. Associação da Indústria do Trigo do Estado de Santa Catarina, representada por seu Presidente Udilo Antônio Coppi;

3. Associação das Indústrias do Trigo nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso do Sul, representada por seu Presidente, Ervin Kirschner;

4. Associação Paulista da Indústria do Trigo, representada por seu Presidente João Martins Filho;

5. Associação dos Moageiros de Trigo do Paraná, representada por seu Presidente Roland Guth;

6. Associação dos Moinhos de Trigo do Norte e Nordeste do Brasil, representada por seu Presidente Carlos Wiethaeuper e;

7. Associação da Indústria do Trigo do Ceará, representada por seu Presidente Amarílio Proença de Macêdo.

A contribuição de cada Associação foi estabelecida na proporção das cotas de trigo anteriormente distribuídas pelo Governo para os citados Estados/Regiões, em, respectivamente, 9, 4, 28, 26, 8, 21 e 4%. Foi eleito para o cargo de Diretor Presidente, neste primeiro mandato, Antenor Gomes de Barros Leal Filho, que teve como Vice-Presidentes os anteriormente nominados Presidentes das entidades mantenedoras, contando ainda, como Vice-Presidentes Executivos, com Cristian Albert Randrup e Reino Pécala Rae. Completavam a Diretoria o Diretor Primeiro Secretário, Mário Venturelli, o Diretor Segundo Secretário Adjunto, Américo Buaiz, o Diretor Primeiro Tesoureiro, Horácio Marofa e o Diretor Segundo Tesoureiro Adjunto, Edmundo Sperb Filho.

Nos anos de 1991 a 1999, a ABITRIGO firmou-se como o interlocutor da moagem perante todos os públicos, especialmente diante do governo e da mídia. Criou-se um relacionamento contínuo com entidades de outros países como a US Wheat e o Canadian Wheat Board. Associou-se a ALIM – Asociacion Latinoamericana de Industriales Molineros. Consolidando experiências anteriores, como a Reunião Nacional da Indústria, em Fortaleza, a 20/21 de março de 1980, instituiu-se a tradição dos “Seminário Internacional de Trigo – Brasil”, o primeiro dos quais foi realizado, em 1993, no Rio de Janeiro e que já se encontra na XI edição, a última realizada em São Paulo, em 2004. Ao longo desses anos firmou-se, também o conceito de que a ABITRIGO somente cuida de assuntos de interesse geral dos associados, não tomando partidos nas questões conflitantes entre os Sindicatos/Associações regionais. Como prioridade, a ABITRIGO empenha-se em alcançar condições objetivas para a prosperidade da moagem. Assim, lhe compete, continuamente, alardear a qualidade e importância dos alimentos derivados do trigo, a partir de uma feliz combinação de centenas de proteínas com carboidratos de primeira grandeza e assegurar que o ambiente industrial seja propício ao bom desenvolvimento da Indústria Moageira.

Antenor Barros Leal, grande propulsor da criação da entidade de caráter nacional, foi reeleito por vários mandatos até que, em 22/11/1999, propôs uma chapa liderada por Roland Guth, acatada pelos Presidentes das entidades mantenedoras e Vice-Presidentes natos da ABITRIGO, Antenor Gomes de Barros Leal Filho, Cássio Rothschild de Souza, José Honório Gonçalves de Tófoli, Luis Fett e Amarílio Proença de Macedo. Roland Guth indicou, ainda, como seu substituto, o representante do Paraná, Mario Venturelli. Compunham a Diretoria, Os Vice-Presidentes Executivos Domingos Costa, Francisco Renato da Costa Garcez, Martinho da Mota Silveira Neto e Reino Pécala Rae. Primeiro Secretário: Lauro Kerber; Segundo Secretário: Carlos Wiethaeuper; Primeiro Tesoureiro: Élcio Alves; Segundo Tesoureiro: Romeu José Massignan e Diretor Técnico: Eloy Gomes.

Roland Guth comandou a ABITRIGO até 2004, mantendo a linha de ação da administração anterior, com, agora, uma ênfase especial de apoio à triticultura nacional. Com a ação conjunta do Governo, triticultura, cooperativas, entidades de pesquisa e outras, foram montados planos para a recuperação do setor. Diante da conjuntura internacional favorável, a nossa produção cresceu rapidamente, de 2 a 3 milhões para o patamar de 6 milhões de toneladas. Da safra de 2003 chegou-se a exportar 1,3 milhões de toneladas. Anteriormente, as últimas e pequenas exportações foram insignificantes.

Uma questão preocupava os associados da ABITRIGO e a sua Diretoria: a necessidade de profissionalização da administração, porque os dirigentes de moinhos não podiam dedicar-se em tempo integral à entidade. Outro tema em debate referia-se à importância de uma ligação direta entre os moinhos e a ABITRIGO, em lugar da sistemática de operação via mantenedoras. Longos debates foram travados sobre tais temas, estudos técnicos contratados, até que assembléias legais vieram estabelecer um novo modelo. Os Sindicatos/Associações mantenedores retiraram-se da ABITRIGO, sendo substituídas diretamente pelos moinhos interessados.

Em 15/04/2004, foi realizada a Assembléia Geral Extraordinária que alterou os Estatutos, retirando-se da Associação os Sindicatos/Associações regionais e ingressando como novos associados, 46 moinhos e estabelecendo que, nas assembléias gerais de associados, os votos são computados a partir da proporção de contribuição de cada um no total arrecadado, sendo a contribuição fixada com base na moagem efetiva de trigo no ano anterior. Como estrutura administrativa, os novos Estatutos prevêem, além da Assembléia Geral de Associados, um Conselho Deliberativo de 19 membros, todos representantes de empresas associadas, sendo nove por indicação das diferentes zonas do País e dez por escolha a partir de votos qualificados e um Conselho Fiscal, composto de três associados. O Conselho Deliberativo elege seu Presidente. Há, ainda um Comitê de Estratégia e Gestão, composto pelo Presidente do Conselho Deliberativo e por quatro outros membros, participantes do Conselho e por ele eleitos. Este Comitê reúne-se freqüentemente para apoiar o trabalho do Diretor Presidente da ABITRIGO, agora um profissional contratado, com dedicação integral.

Em 22/07/2004, outra Assembléia Geral Extraordinária deliberou sobre a mudança da sede da entidade do Rio de Janeiro para São Paulo. Considerando-se o tempo de adaptação aos novos Estatutos e para a mudança da sede, pode-se considerar que a ABITRIGO entrou em sua nova rotina de trabalho a partir de 2005.

A partir de novembro de 2007, a administração da ABITRIGO passou para uma reestruturação geral. Com a saída do Presidente Francisco Samuel Hosken, as diretrizes passaram a ser coordenadas temporariamente pelo Presidente do Conselho Deliberativo, Sr.Luiz Martins. A estrutura interna da associação foi modificada, passando a ser atendida por uma Assessoria Administrativa e Financeira e uma Assessoria Técnica, uma Secretaria e um Centro de Processamento de Dados com a implantação de um Servidor Central para o Banco de Dados.

No período de Novembro de 2007 a Junho de 2008, o Conselho Deliberativo buscou um candidato com as qualificações necessárias para presidir a Associação, através de agências selecionadoras e do relacionamento dos membros conselheiros e associados.

Finalmente, uma opção que já vinha sendo pesquisada, em junho de 2008 foi concretizada, com a designação do Embaixador Sergio Amaral, para presidente da ABITRIGO.

O Embaixador Sergio Amaral já vinha colaborando com a ABITRIGO há aproximadamente um ano, como integrante da Felsberg & Associados, empresa que presta serviços jurídicos à associação. Ao longo desse tempo, os conselheiros Luiz Martins, Antenor Barros Leal e Lawrence Pih, já vinham propondo e avaliando com o próprio Embaixador Sergio Amaral, a possibilidade e condições de ele vir a assumir a Presidência da Abitrigo.

Como resultado desses entendimentos, o Embaixador Sergio Amaral aceitou o desafio proposto e em 19 de junho de 2008, o Conselho Deliberativo aprovou a sua designação para o cargo e início das atividades, a partir de 1° de julho de 2008. A formalização da posse do novo Presidente da ABITRIGO ocorrerá na Assembléia Geral Extraordinária de 24 de julho de 2008.








   
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